"Senhores, peço encarecidamente para que me passem o desfibrilador, antes que o paciente se vá!"
Ai, ai. "Reviveu!"
Depois de muito tempo, estou de volta. Não acho que sentiram falta, afinal, livros é o que não nos faltam por hoje! A mim, então, tenho uma dezena deles para ler!
Entretanto, eu senti falta de dar o meu ar desgraçado por aqui. Vejam só, neste meio tempo dei uma pequena mudada no template do meu blog. Agora, ele não é o "Et le Chat Noir?" e apenas isto, ele virou a versão de uma época, ele está numa estação que desejo ser época de colheita o ano todo. A estação, ou melhor, a versão "Breath.less".
A cada estação teremos a falta de alguma coisa, desta vez foi a respiração que sumiu, além de mim, é claro! Na próxima, veremos o que vai ser...
Mas, enquanto ela não chega, ficaremos com um texto daqueles meus. Vocês já conhecem a tortura.
A terra infinita
Enquanto todos olhavam para o horizonte com um olhar amedrontado, eu via nos olhos dele uma coragem e admiração motivada por um desejo que, para todos os outros, era extremamente insano.
Meu irmão sempre quis desbravar o mundo, eu respeitava muito suas idéias e ele era, sem dúvidas, o mais genial de todos os pensadores de nossa época. Num lugar em que a terra é dita infinita, onde os mares podem cair sobre nós e alagar nossas casas, um lugar em que Deus manda, é supremo e nós apenas meros pecadores, meu irmão quebrava todas as regras e fugia de suas próprias fronteiras.
Seu sonho sempre foi mostrar para os outros o poder que estava no solo no qual pisamos, e não nos céus, dormindo junto de anjos, e ele dizia que começaria apontando a todos que aquela mesma terra não seria infinita.
“A terra é redonda, mas não é infinita.”, ele falava. “É isso que vou provar, e mais, evidenciarei que não é Deus nem outro humano que faz qualquer importância para este lugar.”
Neste lugar, esta areia e todas estas árvores que vemos em nossas florestas sempre estiveram aqui, desde antes de nossos tataravôs nascerem e até nos morrermos eles continuarão aqui, os grãos de areia salpicando em nossos pés e as árvores imóveis e soberanas. Para ele o tempo de vida deste lugar era tão imenso, tão extenso e esticado, que pouco importava para ele nossa existência e o que faríamos, de forma que nem Deus importava.
“Deus foi criado pelo homem, e junto dele desaparecerá. Ele é uma figura nossa, e não há de ter sido Ele quem teve a idéia de transformar as flores que desabrocham em frutas para comermos, toda santa estação. E, mesmo que tenha sido, Ele nunca teria a capacidade de criar uma terra infinita.”, e ele simplificava para mim, pequeno:
“Se Deus criou tudo, então, esta terra é finita. Mas, se esta terra for sem-fim, como nos dizem os velhos e os padres - hum, também muito velhos -, Deus não é o nosso todo poderoso, pois criar algo assim nenhum ser é capaz, principalmente se for este ser que age como nós e nos pune por sermos nós. Alguma dessas coisas tem de estar errada. Provarei isto.”
Então, num dia em pleno outono, meu irmão partiu. Com seus cálculos e dinheiro enfiados numa bolsa, suas roupas e comidas em outra, ele foi andando com duas bolsas debaixo de um braço. Chegou perto de mim, e com um rosto sereno, me abraçou. Eu pedi a ele que me levasse junto, andaríamos o mundo juntos e voltaríamos para casa, depois de toda a volta arredondada, como ele sonhava em fazer, dada. Bom, meu irmão estava certo, não poderia levar sob seu olhar uma criança de cinco anos, especialmente se o caminho que ela se via fadada a andar era o caminho de um nômade.
Mas, ele também não poderia ter deixado aquela criança, sozinha, na soleira de sua casa o observando ir embora. Ele não podia ter me deixado dizendo o quão minha existência era insignificante, ter me deixado esperando por algo que faria de mim maior, e esperando por ele.
“Um dia, eu voltarei, no entanto, não sinta saudades de mim. Esse tempo que passarei fora é insignificante comparado ao tempo de tudo, como nossa existência, não gaste a sua pequena pensando em mim, ou em alguém assim distante.”
A calça dele fez um suspiro, ao arrastar no chão da rua, chão em que poderia se arrastar por toda uma vida, ou uma eternidade, e se foi. Sua calça e meu irmão sabiam daquilo, eu naquela época não sabia que ele poderia morrer andando por aí. Foi minha mãe quem me disse esta verdade, quando eu já era um pouco mais velho e fazia o contrário do que meu irmão me falara, enquanto esperava por ele voltar sentado no tapete de nossa entrada.
Fim.
Bom, esta eu criei hoje mesmo, durante uma aulinha de Geografia. Nunca pensei que as frases do André fossem me inspirar, mas não é que elas me deram um empurrãozinho, mesmo? Como sempre, espero que tenham gostado e agradeço muito por lerem-na.
Muito obrigada!
Beijos!
Nameless; where is my cat?
O Desfibrilador
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Imaginado por Paula Guerra às 10:41 1 comentários
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