Hum, talvez seja a minha falta do que fazer ou meu gosto por postar. Por mais que eu tente me controlar eu acabo vindo até aqui para mais uma aparição desordenada e desgraçada. Agradeço pelos comentários, não sou internacional, muito menos uma grande autora, mas me enche o coração ouví-los.
O Embrulhinho Felpudo
A manhã acordou aborrecida, cinzenta e fechada, naquele dia ela tinha acordado excepcionalmente tarde devido aos ventos que tinham soprado as nuvens para cima do sol nascente.
Mas, não apenas ela acordara aborrecida, cinzenta, fechada e tarde, também a menina de nome Catarina.
Ela sentou-se em sua cama, olhou para a cama ao lado da sua e viu que a irmã já não estava lá. Acordara tarde e como odiava isso! Pôs se de pé e caminhou até o banheiro, escovou os dentes, penteou os cabelos curtos cobre, foi descendo a escada.
Encontrou a sala desarrumada, como já era de se esperar, ninguém se dera ao trabalho de organizar os livros, jogar o lixo fora, ou fazer a colcha do sofá, ao contrário de desfazê-la.
Arrumou tudo, cada detalhe que suspirava por ordem, cada coisa que sua perfeição gritava-lhe. Só mais uma coisa, minha querida, varrer a sala. Então, foi ir porta afora, cruzou o quintal sujo pela ventania com suas cadelas esfregando-se em suas canelas. Pegou a vassoura e a pá que se apoiavam nas paredes, girou os calcanhares e fez caminho-de-volta.
A vassoura escorregava de suas mãos suadas e arrastava no chão, causando trabalheira à menina Catarina que, de estatura pequenina, tinha que manter os braços erguidos para não sujar a piaçava com a poeira do quintal. Mas, não iria sujá-la com a poeira de casa? E, não era tudo poeira igual? Caminho-de-volta com vassoura arrastando, cruzar um quintal parece uma aventura para uma menina de criatividade e pensamentos tão fluídos quanto os da Menina catarina.
Caminho-de-volta feito, foi fechando a porta da sala para as cadelas não entrarem, e, por algum motivo, contou uma cadela, duas cadelas, mas, não contou três cadelas, que seria o número certo de cadelas naquele conjunto matemático ordinário e infantil.
Hum. Onde estaria a terceira? Pelagem branca, estrutura pequena. Lá estava ela, não muito ao longe da porta, de modo que Catarina a encontrou num simples subir de olhar. É, lá estava ela, não havia dúvidas, ela estava lá, junto da rede velha que servia de colchão, junto de um embrulhinho preto e felpudo.
Foi fechando a porta, novamente, e, por outro motivo ignóbil, contou um embrulhinho felpudo, um embrulhinho felpudo, mas, contou exatamente um embrulhinho felpudo. O que, diabos, era um embrulhinho felpudo em vez de nenhum?
Foi indo para a rede velha, a cadela branca ia pegando o embrulho e levando embora, mas Catarina rosnou, enxotando-a e mandando deixar o embrulho no lugar. A cadela fez tudo que ela ordenara, e com um olhar de quem havia feito coisa errada. Catarina franziu o cenho sem entendê-la, voltou a olhar o embrulho e a andar para um pouco mais perto dele, levou as mãos à boca e soltou um gritinho pálido, parou.
Era um pássaro, o embrulhinho era um pássaro! Um filhotinho largado. Estava morto, ela pensou, e ia dando meia volta afastando a mente daquela morbidez, quando o embrulho mexeu a cabeça e ofegou. Como movida à eletricidade, correu para perto dele.
São Longuinho, estava vivo! Respirava, pulsava vivacidade em suas veias!
E aí? O que fazer com ele?
Tiraria o dali, e rápido! Dar-lhe-ia água. Muito bem, é só pegá-lo e... Pegá-lo? Aquela criaturinha molinha que podia estar machucada? Além do mais, suas garrinhas prediam-se na rede velha de tal forma, com tal brutalidade e delicadeza. Porém, teria que pegá-lo, de um meio ou de outro, nem que tivesse que levar a rede velha junto, mas, como seria melhor se não tivesse! Então, o jeito era tirá-lo de lá.
Catarina ajoelhou-se ao lado do pássaro e foi puxando garrinha por garrinha da rede. Ele estava tão assustado que nem reagia, durante toda aquela demorada e dificultosa operação de desgrudá-lo da rede, ele não ousou fazer outra coisa se não exercer a apatia.
A menina sentia o suor escorrer pela testa, que medo de machucar aquela coisinha, e que nervoso daquelas pincinhas que se encolhiam ao desprendê-las! Se pudesse ao menos secar a testa. Tremeu ao ver suas patas se contorcerem tanto ele quanto ela. E, logo, estava livre, na verdade, não exatamente livre, já que agora estava agarrado aos dedos magricelos de Catarina. Muito bem, onde havíamos parado? Ah, sim! A água.
Catarina se pôs de pé, o passarinho mexeu a cabeça e seu coração novamente pulsou rápido, bem como havia feito ao encontrar a menina, só que, agora, aquilo não era bom sinal, já sabia que estava vivo, então, estava vivo e assustado. Tudo que Catarina menos queria era que ele criasse medo dela, queria tê-lo como amigo.
Fim
Se não, vejamos. Acho que depois do Gato Pardo me faltou muito toque. Está certo que meu lado mais figurado vem aflorado, timidamente. Só que sinto que me falta, por incrível que pareça, amargura para mais histórias. Entretanto, por hoje, prefiro estar no mínimo alegre.
Nameless; where is my cat?
Onde estamos?
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Imaginado por Paula Guerra às 13:19 1 comentários
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