Percebi, hoje, que venho me tornado uma criatura petulante e mimada. Odeio isso. Primeiro, eu odeio pessoas mimadas, está bem que desde novinha venho sendo cuidadosamente tratada e tendo meus desejinhos infantis comprados por meus pais, mas toda essa minha personalidade foi construída e destruída pelas minhas próprias mãos. Como um castelo de areia. E tenho um orgulho ordinário de firmar que tudo que fiz até então faz parte de mim, coisas boas e ruins.
Mas, de que adianta tudo isso se viro alguém que odeio?
Sinto-me como uma rainhazinha segurando suas plumas, toda cheia de orgulho, delicadeza fria, brutalidade pintada de ouro e prata, crueldades?, apenas parte de seu trabalho de rainha. Petulância pura de boneca, é como me sinto. Desculpem.
A Boneca de Porcelana
E ela seguiu, levando consigo um caderno, um bico de pena, seu relógio de bolso e suas luvas brancas, constantemente brancas. Suspirando.
“Não tenho nenhuma idéia”
Sem idéia não haveria a festa, e, sem festa, continuaria triste, observando o sol adentrar por suas janelas e a noite virar manhã, um dia após o outro. Por isso seguiria seu plano, firme, mesmo sentindo aquela dorzinha fina no coração, mesmo sentindo vontade das lágrimas escorrerem face abaixo.
E, lá foi ela, boneca de porcelana, em contraste com a paisagem esfumaçada da cidade, seus saltos faziam um barulho baixo nas pedrinhas da rua, levava seu caderno comprimido nervosamente junto ao busto. O bico de pena, preso entre as espirais do caderno, fazia um barulho tão leve quanto seus passos.
Passava por muitas pessoas, uma vez ou outra tentava pedir uma ajuda, mas todos seguiam direto, sem nem olhar, ou olhando do alto, “frios”, ela disse entre os lábios formando um bico tristonho.
Ajeitou o bico de pena nas espirais, subindo-o, de volta ao começo de sua fuga para fora do caderno, ajeitou a postura, subindo-a, tentando parecer com o resto do mundo frio e passivo, e tentou ajeitar o sapato, tropeçando, de joelhos no chão. Ela largou o caderno no meio da queda, indo ao chão, para deixar os braços livres a apará-la, e sentiu o relógio de prata saltar dentro de seu bolso, assim como seu coração em seu peito. Rapidamente ela se endireitou, ajoelhando-se e limpando as luvas sujas, agora, de terra. As pessoas frias que passavam olhavam sádicas, com risadinhas e sorrisos sádicos. “N... não doeu”, tentou falar para os outros, fingindo ser mais forte que sua camada de porcelana poderia permitir ser. Ninguém disse nada, apenas continuaram passando e olhando sadicamente; seus olhos marejaram, sentia vergonha de si.
Era uma boneca de porcelana, frágil, num mundo rígido e cruel, onde qualquer coisa poderia quebrar lhe o coração e machucar sua pele.
Então, uma jovem se aproximou a passadas rápidas, porém devagar, porém curiosa. A jovem chegou um pouco mais perto dela e lhe estendeu a mão, a boneca de porcelana, espantada, abriu a boca, enxugou as lágrimas e, catando suas coisas do chão, aceitou a ajuda.
“Está bem?”, a jovem perguntou.
Ela vestia um vestidinho vermelho, com muitas rendinhas, e morangos bordados na barra, não era muito adulto e nem muito infantil, seus cabelos escorriam em cascatas de cachos pelos seus ombros.
“Sim.”, ela falou rapidamente, tímida.
“As pessoas daqui não ajudam muito, estão muito ocupadas com suas vidas, acho que a poeira daqui do centro da cidade que meche com o coração delas, deixando-os negros.”, a jovem disse olhando fixamente para ela; a jovem não era do tipo de pessoa que se distrai gesticulando o que fala, e observando ao redor para ver se a censuravam, como se tivesse medo de que achassem errado o que dissesse, do contrário, ela realmente colocava em questão o que pensava, ou, ao menos, fora dessa forma que a boneca imaginou que a Jovem fosse.
“Obrigada. Por reparar em mim e vir me ajudar...”, ela disse baixinho, fazendo bico com sua boca pintada de batom.
“Meio difícil não reparar em você, é muito bonita, pena ser muito inocente, as pessoas podem lhe ferir muito facilmente.”, disse a Jovem.
“Ah. Sim, obrigada...”, ela falou apesar de não entender porque uma pessoa poderia querer ferir outra, ela realmente não compreendia o que era esse sentimento.
As duas pararam por um momento, a boneca ficou olhando para seus sapatinhos vermelhos, tentando achar um bom momento para perguntar à Jovem por uma fantasia; já a Jovem ficou olhando a sua volta, refletindo.
De repente, a Jovem virou-se como se fosse embora, a boneca percebeu e apressada levantou o rosto, com medo de que sua única chance de alguma idéia se esvaísse. E, novamente de forma repentina, a Jovem virou-se de volta a olhar para a boneca e disse, sorrindo: “quer vir comigo até minha lojinha?”, e deu uma piscadela simpática.
A boneca ficou espantada com a atitude doce da garota, como podia ela, tão doce, morar num lugar daqueles?
Ela sorriu e resolveu seguir a Jovem.
Não precisaram andar mais que alguns poucos metros para chegarem à porta de uma lojinha diferente, ela não tinha nome, no lugar do nome havia apenas dois morangos, e era completamente colorida, verde, rosa, vermelho, branco e um azul aqui e ali. Aquela lojinha era tão diferente das outras lojas, escuras e com persianas quebradas, era como achar um anjo achar aquela Jovem e sua loja.
A Jovem pegou uma chave dentro do bolso, perto da barra de seu vestido, e abriu a porta da lojinha, a boneca, sem saber ao certo o que fazer, esperou envergonhada uns instantes e logo a Jovem a convidou cordialmente a entrar.
“Quando estava vindo abrir a lojinha é que a vi.”, e foi até a porta para virar a plaquinha de “fechado” para “aberto” e depois em direção ao interruptor, clareando todos os cantos, impedindo que aquela escuridão das outras lojas se repetisse dentro daquela.
Quando a Jovem acendeu as luzes que ela pode ver o que era vendido lá, na tal lojinha, morangos e tudo relacionado a eles. Havia caixinhas adornadas com morangos, trabalhados na madeira, havia panos de prato com morangos pintados, havia blusinhas com estampas de morangos e botões de morangos, e havia, o que não poderia faltar, morangos, embalados em caixinhas de plásticos, vermelhos e doces, sem o menor sinal daqueles machucadinhos que morangos costumam a ter.
A Jovem pegou uma das caixas de morangos e ofereceu à boneca.
“Desculpe, estou sem dinheiro...”, ela disse baixinho apertando o caderno contra o busto.
“Não, não precisa pagar. Esta loja não é um negócio muito lucrativo, uma vez ou outra me pego comendo os morangos que estão à venda, não há problemas em você comer alguns.”
E, então, a boneca pegou um morango e o levou à boca, estava realmente doce, mais que a aparência poderia dizer. A Jovem sorriu novamente, de um jeito meigo que só ela fazia naquela cidade, e, pegando um morango, disse:
“Eles são uma dádiva, não acha?”, e a boneca fez que sim com a cabeça, respeitando a educação em não falar de boca cheia, especialmente quando está cheia de morangos. “Nessa cidade a minha lojinha é a única que vende morangos, ou, melhor, a única que vende morangos que não são amargos e estragados.” E a Jovem deu uma risadinha, “Morangos são difíceis de cuidar e, se não o fizer bem, eles estragarão com uma tremenda facilidade. As pessoas daqui não acham morangos muito interessantes e não tem paciência para cuidar deles, então, eles amargam. Talvez seja por isso que elas não são muito alegres, morangos deixam nossa vida docinha, fazem bem para a alma, soa estranho, mas é o que eu acho.”
A boneca fez que sim com a cabeça, novamente, parecia mesmo que faltavam morangos na dieta daquelas pessoas, porque, no fundo, a Jovem tinha razão, apenas em comer uns dois morangos a boneca já se sentia bem, apesar dela não saber se era por serem morangos ou por serem aqueles morangos.
“As pessoas dessa cidade parecem que tomam limões...”, ela disse baixinho e fazendo uma cara tristonha. Ela não sentia raiva daquelas pessoas, sentia pena delas por não serem felizes, no fundo, igualmente a razão da Jovem em relação aos morangos, elas não eram mais felizes que a boneca, eram tão tristes quanto.
A Jovem riu, “Você tem razão! Parecem mais que comem limões!” e ofereceu outro morango a ela. As duas se silenciaram, a boneca estava comendo outro morango e a Jovem estava distraída refletindo novamente.
“Você parecia triste e desnorteada no meio daquelas pessoas, há algo em que eu possa ajudar?”, a Jovem disse, finalmente, depois de um silêncio enervante.
A boneca parou por um pouco e pensou em como deveria usar as palavras, da maneira mais delicada possível, afinal a Jovem era muitíssimo gentil.
“Eu estava procurando alguém que me desse uma idéia para a fantasia.”, ela falou imaginando ter escolhido bem.
“Fantasia, qual fantasia?”, a Jovem perguntou parecendo até intrigada, não tola.
A boneca corou, havia usado o artigo errado. Ao invés de um artigo indefinido, o que faria mais sentido para a Jovem que não sabia do que se tratava a tal fantasia, ela usara um artigo definido, como se já tivesse uma fantasia em mente, o que era completamente o oposto da situação.
“Perdão, usei o artigo errado!”, ela se apressou em dizer, exaltada, “Eu gostaria de ter dito ‘uma fantasia’ ao invés de ‘a fantasia’. Eu estava procurando alguém que me desse uma idéia para uma fantasia.”, ela tratou de repetir a frase palavra por palavra, corrigindo o primeiro erro.
“Ah, sim, claro, eu quem entendi errado. Deixe me pensar... uma fantasia?”, e a Jovem sorriu meigamente, se fosse outra pessoa qualquer daquela cidade teria rido dela e da maneira um pouco infantil de corrigir o erro da frase.
A Jovem fez a mesma cara que fazia quando refletia distraidamente, e, da maneira repentina dela, disse: “morango! Você ficaria linda de morango!”
A boneca franziu o cenho, não entendia a mania que a Jovem tinha por morangos, mas acabou sorrindo, talvez ela ficasse bonitinha de morango. E pegou seu caderno, abriu na primeira página em branco, escreveu a primeira idéia: “morango”, a Jovem suspirava enquanto havia voltado a refletir.
“Todavia, não sei se você gosta tanto de morangos quanto eu, então, talvez fosse melhor você escolher algo que demonstrasse mais o que sei coração quer dizer.”, a Jovem disse parecendo meio triste por sua idéia não ser a ideal. As duas pararam para refletir.
“O que... meu coração quer dizer?”, a boneca perguntou baixinho, olhando para os sapatos vermelhos, meio tristonha. A boneca não sabia o que seu coração queria dizer, ela não sabia porque tudo que ele queria, naquele momento, era uma companhia melhor que a solidão, e era só isso que ele dizia, todo o tempo, tentando explicar por dores fininhas e pontadas que parecia matá-lo.
A Jovem reparou no rosto infeliz da boneca voltado para o chão.
“M... mas eu não sei o que ele quer dizer...”
Então, repentina, como sempre, a Jovem se aproximou e abraçou a boneca delicadamente, para não quebrar sua porcelana. A boneca sentiu seu coração aquecer e dizer algo, baixinho, bem baixinho. Sem a solidão machucando-o, ele conseguia falar, mas de uma maneira quase muda, estava muito ferido para se esforçar.
“Você irá ouvi-lo.”, e foi só isso que a Jovem soube dizer, nem ela mesma saberia ao certo como agir naquela situação e sentia muita pena de ver a boneca assim, pois, sendo inocente como ela era, seria uma tarefa muito complicada e desventurada ouvi-lo claramente.
As duas ficaram abraçadas por um tempo, e, então, a boneca entendeu que era melhor ir, procurar pelo o que seu coração queria dizer. A Jovem desfez o abraço que envolvera a boneca, deu um passo atrás, e elas se despediram. A boneca voltou às ruas da cidade, olhando para dentro da loja, onde lá sorria a Jovem. Fez um aceno e se foi.
A Jovem ficou lá observando o curioso contraste daquela criatura de roupa branca com o cenário de pessoas de ternos pretos, sorrindo de maneira meiga, sorrindo de maneira solitária a Jovem. Talvez a boneca nunca soubesse, mas a Jovem sabia que sua solidão era tanta quanto a que ela sentia, entretanto a Jovem a combatia de sua forma, comendo doces morangos todos os dias, uma mania que só ela compreendia.
Fim
Aí está uma das que gosto. Nem talvez pelo próprio texto. Minha mãe aprecia muito a Boneca. Ainda está por vir a parte dois da história, entretanto, todavia, no entanto, não sei se isso é um bom aviso ou mais uma desgraça. Além do que, se eu terminar a segunda parte. E, na verdade, a primeira...
Comecei a escrevê-lo no PDE, foi meu primeiro dia lá, disso bem lembro-me. Agora, o PDE se tornou uma segunda casa para mim, só que não posso mais me dar ao luxo de escrever por lá, gosto mais de ter trabalhos para fazer e trabalhos feitos. Enfim, comecei a história de uma outra parte, fiquei de terminar o começo por mais outros dias, só que isso ficou apenas na promessa. A segunda parte ganhou o desonroso título de primeira e, então, cá estamos com a sinopse:
"Ele conta a história de uma garota tentando arrumar uma fantasia para uma festa de quinze anos. Entretanto, a garota é tão inocente e delicada que, para encontrar sua fantasia ideal, tem de passar por uma série de provações."
Muitíssimo obrigada!
Nameless; where is my cat?
Minha petulância de boneca
domingo, 4 de novembro de 2007
Imaginado por Paula Guerra às 03:10 2 comentários
Onde estamos?
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Hum, talvez seja a minha falta do que fazer ou meu gosto por postar. Por mais que eu tente me controlar eu acabo vindo até aqui para mais uma aparição desordenada e desgraçada. Agradeço pelos comentários, não sou internacional, muito menos uma grande autora, mas me enche o coração ouví-los.
O Embrulhinho Felpudo
A manhã acordou aborrecida, cinzenta e fechada, naquele dia ela tinha acordado excepcionalmente tarde devido aos ventos que tinham soprado as nuvens para cima do sol nascente.
Mas, não apenas ela acordara aborrecida, cinzenta, fechada e tarde, também a menina de nome Catarina.
Ela sentou-se em sua cama, olhou para a cama ao lado da sua e viu que a irmã já não estava lá. Acordara tarde e como odiava isso! Pôs se de pé e caminhou até o banheiro, escovou os dentes, penteou os cabelos curtos cobre, foi descendo a escada.
Encontrou a sala desarrumada, como já era de se esperar, ninguém se dera ao trabalho de organizar os livros, jogar o lixo fora, ou fazer a colcha do sofá, ao contrário de desfazê-la.
Arrumou tudo, cada detalhe que suspirava por ordem, cada coisa que sua perfeição gritava-lhe. Só mais uma coisa, minha querida, varrer a sala. Então, foi ir porta afora, cruzou o quintal sujo pela ventania com suas cadelas esfregando-se em suas canelas. Pegou a vassoura e a pá que se apoiavam nas paredes, girou os calcanhares e fez caminho-de-volta.
A vassoura escorregava de suas mãos suadas e arrastava no chão, causando trabalheira à menina Catarina que, de estatura pequenina, tinha que manter os braços erguidos para não sujar a piaçava com a poeira do quintal. Mas, não iria sujá-la com a poeira de casa? E, não era tudo poeira igual? Caminho-de-volta com vassoura arrastando, cruzar um quintal parece uma aventura para uma menina de criatividade e pensamentos tão fluídos quanto os da Menina catarina.
Caminho-de-volta feito, foi fechando a porta da sala para as cadelas não entrarem, e, por algum motivo, contou uma cadela, duas cadelas, mas, não contou três cadelas, que seria o número certo de cadelas naquele conjunto matemático ordinário e infantil.
Hum. Onde estaria a terceira? Pelagem branca, estrutura pequena. Lá estava ela, não muito ao longe da porta, de modo que Catarina a encontrou num simples subir de olhar. É, lá estava ela, não havia dúvidas, ela estava lá, junto da rede velha que servia de colchão, junto de um embrulhinho preto e felpudo.
Foi fechando a porta, novamente, e, por outro motivo ignóbil, contou um embrulhinho felpudo, um embrulhinho felpudo, mas, contou exatamente um embrulhinho felpudo. O que, diabos, era um embrulhinho felpudo em vez de nenhum?
Foi indo para a rede velha, a cadela branca ia pegando o embrulho e levando embora, mas Catarina rosnou, enxotando-a e mandando deixar o embrulho no lugar. A cadela fez tudo que ela ordenara, e com um olhar de quem havia feito coisa errada. Catarina franziu o cenho sem entendê-la, voltou a olhar o embrulho e a andar para um pouco mais perto dele, levou as mãos à boca e soltou um gritinho pálido, parou.
Era um pássaro, o embrulhinho era um pássaro! Um filhotinho largado. Estava morto, ela pensou, e ia dando meia volta afastando a mente daquela morbidez, quando o embrulho mexeu a cabeça e ofegou. Como movida à eletricidade, correu para perto dele.
São Longuinho, estava vivo! Respirava, pulsava vivacidade em suas veias!
E aí? O que fazer com ele?
Tiraria o dali, e rápido! Dar-lhe-ia água. Muito bem, é só pegá-lo e... Pegá-lo? Aquela criaturinha molinha que podia estar machucada? Além do mais, suas garrinhas prediam-se na rede velha de tal forma, com tal brutalidade e delicadeza. Porém, teria que pegá-lo, de um meio ou de outro, nem que tivesse que levar a rede velha junto, mas, como seria melhor se não tivesse! Então, o jeito era tirá-lo de lá.
Catarina ajoelhou-se ao lado do pássaro e foi puxando garrinha por garrinha da rede. Ele estava tão assustado que nem reagia, durante toda aquela demorada e dificultosa operação de desgrudá-lo da rede, ele não ousou fazer outra coisa se não exercer a apatia.
A menina sentia o suor escorrer pela testa, que medo de machucar aquela coisinha, e que nervoso daquelas pincinhas que se encolhiam ao desprendê-las! Se pudesse ao menos secar a testa. Tremeu ao ver suas patas se contorcerem tanto ele quanto ela. E, logo, estava livre, na verdade, não exatamente livre, já que agora estava agarrado aos dedos magricelos de Catarina. Muito bem, onde havíamos parado? Ah, sim! A água.
Catarina se pôs de pé, o passarinho mexeu a cabeça e seu coração novamente pulsou rápido, bem como havia feito ao encontrar a menina, só que, agora, aquilo não era bom sinal, já sabia que estava vivo, então, estava vivo e assustado. Tudo que Catarina menos queria era que ele criasse medo dela, queria tê-lo como amigo.
Fim
Se não, vejamos. Acho que depois do Gato Pardo me faltou muito toque. Está certo que meu lado mais figurado vem aflorado, timidamente. Só que sinto que me falta, por incrível que pareça, amargura para mais histórias. Entretanto, por hoje, prefiro estar no mínimo alegre.
Imaginado por Paula Guerra às 13:19 1 comentários
Outra pequena história
terça-feira, 30 de outubro de 2007
O que deu em mim para colocar uma após a outra? Estaria eu ficando louca? Pois bem, de uma forma ou de outra, acabei por postá-la.
O Rosa do Cinza
Lembro-me bem de minha infância, na verdade, não muito bem, mas quase. Minha infância não faz muito mais que cinco anos, todavia parece estar muito mais distante.
Eu tinha dez anos enquanto corria pela rua acinzentada de uma cidade acinzentada com meu irmão ao meu encalço. Ele ainda vive ao meu encalço, menos chato e mais piedoso do que era.
Eu era brincalhona e adorava correr do meu irmão, ele apenas bufava me seguindo, ele não gostava de me perseguir quando eu fugia e dizia que eu era muito irritante, além de teimosa. Embora, também dissesse que me amava muito e que eu era a única estrela no céu dele, eu era a única coisinha que resistia e ainda sorria no meio da guerra, diferente do resto de toda a família que morrera, diferente do resto de todos os amigos que chorava. Gostaria de ainda estar dessa forma nos conceitos dele.
Nós viajávamos a cidade de cima a baixo à procura de lugares onde eu poderia cantar, íamos de uma casa de show à outra, não achávamos muita coisa, pois, como era guerra, ninguém se importava muito com cantar e sorrir e coisas do gênero. Não demorou muito para eu ter que cantar nas ruas, era pobre e cansativo, mas nos ajudava o bastante.
Todo dia eu corria pelas ruas antes do sol nascer e, fugindo do meu irmão, escolhia um local aconchegante entre as flores acinzentadas mais quentes que havia e sentava-me para cantar. Meu irmão, ao me alcançar, pegava seu violão, tirava umas notas e pedia para que eu inventasse uma letra qualquer, eu pensava em como me sentia e criava uma. Eram canções bobas e com um vocabulário bem limitado, mas acho que passavam com sinceridade o que queriam passar, porque as pessoas paravam para me escutar e me davam moedas, notas, ou até mesmo rosas. Foi em uma dessas canções, enquanto minha voz corria e escorria pelas notas de uma música triste sobre mulheres e crianças solitárias longe de seus maridos e pais, que um homem idoso me chamou para junto dele e me entregou seu cartão. “Essa, essa voz é linda, por favor, procure-me, irei arranjar-lhe um emprego digno dessa voz.”, eu me recordo dele ter dito. Depois disso ele me deu uns trocados e foi embora, eu e meu irmão ficamos parados olhando para, em parte, o cartão e, em parte, o idoso que desaparecia pela rua. Eu estava muito feliz, mas meu irmão estava hesitante, ele achava o homem “muito suspeito”, como dizia.
Depois de eu insistir muito mesmo com o meu irmão, consegui que fossemos procurar aquele homem. Fomos ao endereço que dizia no cartãozinho que nos levou a uma casa meio maltratada, ficamos ali, olhando um para o outro, meu irmão estava de braços cruzados segurando o cartão do homem numa das mãos, seus olhos recaídos sobre meu rosto como se me censurassem dizendo: “olha aonde nos trouxe”, e imagino que era realmente isso que ele queria passar.
“Eu já lhe disse que não quero ir, Anna, vamos embora que não precisamos da ajuda dele.”, ele teimou com força.
Eu o ignorei e dei um paço à frente. Ele se postou na minha frente rapidamente, esbarrei nele. Eu tentei passar a sua frente, mas ele me segurou pelos braços.
“Não! Eu já disse que vou, minha voz é a única coisa que pode nos ajudar nesse mundo e vou usá-la!”
Apenas me segurava e me ignorava.
“Deixe-me passar! Deixe-me passar, Ryan!”
E comecei a dar uns leves golpes em seus braços para que ele me largasse, eu era pequenina em comparação ao meu irmão e ele me segurava com uma facilidade extrema o que me deixava sempre muito aborrecida.
“Por que você não quer me deixar ir?! Por quê?!”
Ele continuava a me segurar e a me ignorar, eu ficava tão furiosa que meu rosto já estava vermelho e meus olhos marejados. Eu tinha insistido a semana toda para que fôssemos e, agora que estávamos lá, em frente aquela casa, ele não queria deixar.
“Eu só quero nos ajudar, deixe-me passar! Pare de me ignorar! Por que você não quer me deixar ir?! Pare de me ignorar!”
E, quando eu ia dar-lhe um chute na canela, ele gritou:
“Nem pense nisso!”
Eu quase nunca via meu irmão irritado e vê-lo assim me dava muito medo, então eu me inquietei, abaixei a cabeça, chorei baixo. Ele se ajoelhou e me olhou firme nos olhos.
“Eu vou explicar-lhe. Na guerra ninguém em sã consciência se importa com diversão, música, nesse tempo isso é só para os grandes homens. Então, por que um homem, idoso ainda por cima, iria se importar em arrumar um emprego para você? Ele não é rico, não é político!”
Não posso negar que meu irmão não tinha razão, mas eu imaginava que, se era para correr risco por algo, eu correria risco por algo que me prometia uma vida melhor, ao menos. Então, como eu não tinha nada a dizer, continuei de cabeça baixa.
Meu irmão se levantou e me deu as costas, fazendo o caminho de volta de onde viemos, eu continuei ali, vendo que ele não me esperaria e nem me chamaria.
Quando ele já estava a mais de seis metros de mim, minha cabeça voltou a funcionar como antes: eu queria entrar, queria falar com aquele senhor. Então, resolvi não hesitar mais nem um segundo, caso o fizesse meu irmão me impediria novamente, corri em direção à casa maltratada e me esgueirei até a campainha. Toquei.
Ao ouvir o som titilante ecoando por toda a casa, meu irmão se virou imediatamente, seu rosto estava vermelho e concentrado em mim, ele veio até mim com os pés batendo, e, quando ia me arrastar pelo braço rua a fora, a porta se abriu.
Olhei para a senhora que atendia a porta com um sorriso de orelha a orelha, meu irmão não havia me impedido, e ele olhou para ela com uma expressão mista de raiva e espanto.
“Podem entrar.”, ela nos convidou.
Fim
O que posso dizer dessa história? A princípio, amo seu título, por isso eu acharia interessante, ao menos, explicá-lo.
Bem, eu a criei em um devaneio antes de dormir, lembrando-me de uma música que amo: Esquadros. A voz da Adriana Calcanhotto passando por entre cada sílaba parece chocolate derretendo calmamente, ou uma certa escritora andando por ruas em preto, cinza e branco. Da minha segunda sinestesia surgiu o título, o rosa calmo, doce e amável, surgindo do cinza pelos olhos de uma garota.
No fim das contas, dentre todas as minhas histórias, esse é a que recebe menos meus prestígios. Mas, nem por isso, deixa de ser amada.
Tenha amor por si mesmo. Minhas histórias fazem parte de mim.
Imaginado por Paula Guerra às 16:11 3 comentários
Uma pequena longa história
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
A pedidos de um amigo meu, hei de postar aqui as minhas histórias, uma por vez. Fiquei muitíssimo agradecida ao saber desse pedido dele, e, é claro, ainda estou.
Como não sei qual deveria ser minha ordem de postagem, resolvi colocá-las de acordo com qual coloquei primeiro no DeviantArt (link).
A Escritora
Malditos dias de inverno, eles deixam meu trabalho mais difícil de ser feito e mais deprimente ao ser feito.
Morando no lugar que moro, um chalé singelo de cinco cômodos, confortável, no meio da floresta, o frio se abate sobre minha pequena morada de tal forma que só me resta cobrir-me de mantas e sentar-me em frente à minha querida máquina de escrever para digitar palavras tristes e cansadas.
Fábulas, contos, estórias, todas movidas à tristeza da solidão.
A vida poderia ser uma longa primavera, não acha? Como aquela que passei junto do querido que amei.
Agora a neve bate em minhas janelas e portas geladas convidando-me para um passeio sem volta, como diriam os mais sensatos.
“Acho que irei de encontro à neve.”
Levantei-me de minha escrivaninha, largando a máquina de escrever e as mantas pelo chão, peguei um sobretudo e enrolei-me nele. Calcei minhas botas e saí para mais uma de minhas insanas aventuras em busca de inspiração.
Andando pelas minhas próprias trilhas, observando os flocos de neve cair. Alguns dizem que não há dois flocos de neve perfeitamente iguais, e acho que estão certos, apenas um segundo para mudar tudo e todos. Um segundo, um dia, digam como quiser, para quebrar um coração em muitos pedaços e vê-lo sangrar para nunca mais ser o mesmo.
Numa das trilhas mais íntimas da floresta, parei por uns instantes, sentando-me num tronco morto de uma árvore.
Ouvi um som diferente do habitual, um miado, baixo, tristonho. Olhei atentamente para a direção do miado e vi, entre as folhagens, um gato pardo.
Gatos pardos são mais interessantes que os negros, acho eu, em seus nomes há um toque de sensualidade fora do comum, eles me levam a escrever alucinadamente.
Curioso, ele me olhou, meio medroso ele se aproximou, deveria imaginar que, sendo eu boa ou má, ele não teria nada mais a perder. Ronronou o mais alto que pode, tentando demonstrar um afeto que não sentia por mim, e se esfregou mansamente em minhas pernas magras.
Peguei o bichano no colo, ele já era um adulto, era magro e alaranjado, tinha os olhos mais azuis que já vi em toda minha vida. Eu levei-o para meu chalé e dei-lhe comida.
Ele se apegou a mim e eu a ele.
Era saltitante, alegre, mas a neve trazia tristeza a seu olhar. Ele a observava de uma forma diferente do normal, às vezes ele parava em frente à minha janela e ficava olhando a neve cair por muito tempo.
Pela amargura que ele sentia na neve, dei-lhe o nome de Yoku, que significa “aquecer-se ao sol”... Acho que combina com meu solitário gatinho, pobre gatinho.
Pela manhã de um desses dias de inverno um pouco mais cálidos, eu notei, intrigada, a ânsia com a qual ele se esgueirava pela casa à procura de uma brecha de sol. E, quando via que não podia alcançá-la, ele desistia, se deitando com o coraçãozinho felino pesado.
Isso acabou me dando uma inspiração para um conto. Sentei-me junto de minha máquina de escrever, e comecei a digitar. Yoku se juntou a mim, deitando no meu colo entre as minhas mantas, a maquininha do rom-rom em seu peito funcionando, esquentando meu colo e o meu vazio chamado alma.
“Não tenho ninguém como você há tantos anos, Yoku.”
E acariciei suas bochechas. Ele esticou o pescoço e ergueu os bigodes com orgulho de sua própria existência.
O Gato pardo
Os dois andavam lado a lado pelo bosque, amigos de infância, unidos por laços familiares e amorosos intermináveis. Dois garotos, sim, dois garotos apaixonados um pela presença e vida do outro.
Amantes inseparáveis até onde a vida pudesse deixar, até onde o “para sempre” que o mais atrevido sussurrava no ouvido do outro pudesse durar.
As mãos entrelaçadas, o olhar feliz. Eles se sentaram no chão verdejante ainda molhado de orvalho, e viram o sol nascer naquele último dia de outono. No dia seguinte já seria inverno e o tempo dizia isso por si só.
Atrevidamente, ele acariciou os cabelos loiros do amigo, puxou, beijou-lhe a face, o outro corou. “Era um menino inocente,”, ele pensava “apenas um menino inocente.”. Ele não iria fazer muito mais que aquilo, não queria ferir o coração de seu querido loiro.
Uma jovem observava os dois, os olhos se movimentavam nervosos e o coração batia movido a um rancor e ciúmes inesgotáveis.
“Ele me deixou para estar junto desse loiro maldito?!”, ela perguntava para si mesma.
Infelizmente aquela jovem era cruel demais, e sabia demais. Todo dia e toda noite ela amaldiçoava o loiro, desejando-lhe a morte. Mas Deus é misericordioso onde pode ser e, ao invés da morte, Deus conseguiu fazer com que o loiro apenas se transformasse em um gato.
E aquilo ocorreu naquele momento mesmo, no nascer do sol do último dia de outono. O loiro caiu inconsciente no colo do amigo.
A garota se controlou para não urrar de felicidade, e o amigo apenas conseguia sacudir o outro.
E, então, ele virou um gato.
“Gato pardo?”, o garoto se perguntou franzindo o cenho.
“Por que virastes um gatinho pardo?”
Ele baixou os olhos e ficou olhando o gatinho pardo acordar vagarosamente em seu colo. O gato o olhou e se encolheu com medo.
“Não te lembras mais de mim?”
Ele acariciou o bichano, este ronronou.
E os dias se passaram assim, carícias calmas e barulhinhos doces. O gato pardo não se lembrava de nada, mas ainda sentia amor por quem, agora, era seu dono. Entretanto aquele felino tinha medo de uma coisa, algo que caia devagar e sereno, a neve.
Aquilo parecia recordar-lhe o último dia de outono e o entristecia, pois ele nunca mais poderia ser quem era e amar de verdade aquele rapaz.
Um dia, já no final do inverno, alguém bateu na porta e o garoto foi atendê-la, todavia, por mais que chamasse por alguém, ninguém respondia. Deu de ombros e voltou para seu quarto, chamou por seu gatinho pardo, mas ele não vinha.
Ele chamou de novo.
Nada.
Ele procurou em seu quarto.
Nada.
Na sala.
Nada.
E em toda a casa. Mas nada de seu gatinho pardo aparecer.
É que ele, agora, estava preso dentro de uma sacola de pano, sendo carregado pela jovem.
E ela o levava para o meio de uma floresta, o deixava lá, sozinho, e voltava. Aquela garota fazia isto porque, mesmo tendo virado um gato, era para o loiro que o seu amado mais dava atenção. Ela não poderia permitir aquilo, aquilo era uma prova de amor terrivelmente forte.
Ainda dentro da sacola, o gatinho miava desesperado. Quando finalmente conseguiu sair, se viu perdido, na floresta, a neve cobrindo todo o chão, caindo calmamente.
Ele se encolheu num canto, com medo da neve.
E ficou lá esperando pelo seu dono amado.
Enquanto isso o jovem estava em seu quarto esperando pelo seu Gato pardo.
Ao terminar minha mais nova estória, coçava os olhos sentindo que Morfeu estava prestes a passar por mim.
Yoku já cochilava em meu colo.
Olhei através da janela do outro lado de minha sala, a janela que fica ao lado de minha estante recheada de livros, e vi um garoto de cabelos negros chamando por alguém.
Ele baixou a cabeça e suspirou, tinha os olhos marejados. Deu meia volta e foi embora para nunca mais.
Quando realmente abri meus olhos, constatei que tinha cochilado junto de minha mesa de trabalho.
Yoku já não jazia mais em meu colo, ele estava junto da janela ao lado da estante observando a neve cair, arranhando a janela com suas patinhas acolchoadas de gato, miando daquele jeito infeliz e gemido que gatos miam.
Levantei-me e parei ao seu lado, observando a paisagem com ele.
Ele parou de miar, observou-me e se esfregou carinhosamente em mim.
Não havia mais aquele vago sentimento em seus olhos, havia sumido, havia sido esquecido novamente. Como o loiro que havia esquecido de seu amado ao se tornar o Gato pardo, ele só ronronava e vivia superficialmente, até encontrar a neve.
“Mas que imaginação a minha!”, pensei.
Fim.
Caramba, quando leio essa história fico muito feliz, gosto muito dela. Mas, ao mesmo tempo, sinto um arrepio correr pela minha espinha, não seria um tanto bizarra e infantil? De qualquer forma, gosto da imagem da escritora solitária na floresta, pois, em dias tristes, me sinto assim como ela.
Imaginado por Paula Guerra às 15:04 3 comentários
Ser humano?
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Hoje acordei com um estranhíssimo bom humor. Apesar do dia cansativo de ontem, tive forças de me arrastar para fora da cama e de encarar o nascer do dia com um largo sorriso. Fui à escola como sempre e presenciei um fato que me deixou com o cérebro rodando o dia todo.
Havia acabado de me sentar junto de minha amiga, no banco da escola, e as duas esperávamos o sinal tocar. Então, distraídamente, ouvi um trecho de conversa de um grupo ao nosso lado. A garota contava uma história, que havia ocorrido ali na escola mesmo: ela estava passando pelo recreio e esbarrou numa pessoa, ela se desculpou, mas aquela soltou um palavrão.
Senti-me congelar, e, contraditoriamente, ao mesmo tempo, corar. Eu tinha passado por um fato parecido: lá estava eu, passando pelo recreio, entre mochilas e crianças correndo, as pessoas passavam por mim como se eu fosse nada. Então, levei um grande esbarro de uma garota, fiquei irritada e xinguei alto. Não havia escutado desculpas nem perdões, apenas, como uma pessoa tola, xinguei.
Haveria sido eu aquela mal educada? Eu passei o dia todo pensando, minha cabeça se remoía e, eu que havia acordado de tão bom humor, me afundava na vergonha.
Desde meus primórdios, nunca aceitei ser uma humana, nunca aceitei ter que sentir o que eles sentem e agir como eles, acho tão sem graça, sem vida e sem ideais; acho eles tão tolos, medíocres. Entretanto, ao mesmo tempo que eu acho-os assim, eu ajo como eles, pior até.
Ser humano é cometer erros? Ser humano é sentir dor? Se for eu sou apenas mais uma deles.
Ser humano é ser tolo? É ser presunçoso? É cometer ao menos um dos pecados diariamente? Se for assim eu sou apenas mais uma deles.
Não tive coragem de saber se a garota era eu, mas queria desculpar-me com quem eu cometi tal atrocidade.
Imaginado por Paula Guerra às 12:24 1 comentários
Adeus, Rio...
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Michi to you all~Alüto
Daitai itsumo doori niSono kado wo magareba
Hitonami ni magire komi
Tokete kieite iku
Boku wa michi wo takushi
Kotoba sura nakushite shimau
Dakedo hitotsu dake wa
Nokotteta, nokotteta
Kimi no koe ga
Warau kao mo, okoru kao mo subete
Boku wo arukaseru
Kumo ga kireta saki wo
Mitara kitto
Nee, wakaru deshou? (Nee, wakaru deshou?)
Essa música me faz lembrar de tudo que deixarei para trás ao seguir em direção a São Lourenço, MG, para uma viagem de congelar os ossos.
Coisas, estas, entituladas a seguir:
Oito horas de treino de ginástica olímpica, oito horas da coisa que mais amo em todo mundo...
Minha amável, porém um tanto assassina, calopsita Catina.
Toda a carnificina das favelas cariocas.
Meu querido quarto com meu querido travesseiro.
Suco de abacaxi com hortelã.
Só de lembrar dessas coisas sinto vontade de ficar (menos, é claro o item em qual consta "toda a carnificina das favelas cariocas"...), me esconder no meu armário e ficar...
Meus queridos amigos que ficam, para vocês deixo um abraço, a saudade e a inveja, pois vocês continuarão aqui, nesse fim de mundo chamado Rio.
Bom dia, são onze e cinquenta e três da manhã, e essa foi mais uma de minhas postagens insossas.
Imaginado por Paula Guerra às 07:42 0 comentários
