Hoje era, talvez, para eu postar sobre o texto anterior.
Falar sobre a saudade da minha infância e sobre o estranho, e até trágico, fato de que nunca mais poderemos ver nossos dentes caindo e voltando, como mágica. Estamos velhos demais para isto, de hoje em diante falaremos em tirar o aparelho para por dentaduras, não, não mais poremos aparelhos e nem teremos novos dentes. Eles serão os mesmos de hoje em diante.
E outras coisas parecem não brotar mais nos adultos, como sonhos. Eles morrerão com os mesmos sonhos com os quais sonharam ao ter seus dentes de volta, na adolescência. Por que não sonhar com coisas novas? Estão velhos demais para isto?
Bom, mas não vou me prolongar.
Não é sobre essas pessoas que vim falar.
É sobre mim.
Talvez porque seja meu blog, ou porque não conheço ninguém bem o suficiente para falar (ou, pelo menos, para falar bem, não conheço). E, quem sabe?, hoje eu não tivesse de falar.
Porque hoje cheguei ao meu auge, ao, ouvindo Tonight, Tonight (versão do Panic!, é claro.), olhar para minha foto e me perguntar: quem é esta aí?
Quem?
Já me disseram tantas vezes neste ano: "Paula, você está mudada." ou "Você não era assim.". Está bem que, muitas dessas vezes, foi dito como brincadeira. Mas, as que vieram sérias, foram embora sérias.
As pessoas que me disseram isso, excetuando minha família, me deram as costas.
Perdi muitas pessoas, acho que a maioria não fez falta, porque não lembro do nome de uma porção delas, só que umas... Bem, estas fazem doer ainda.
E, hoje, afundei minha cabeça e suspirei um bocado (para não dizer que chorei. Ora, vamos enublar esses fatos tolos.), perdi pessoas que me fizeram o ser.
Perdi... a mim?
Nameless; where is my cat?
Tonight, tonight
domingo, 18 de maio de 2008
Imaginado por Paula Guerra às 05:16 3 comentários
Vamos brincar de roda.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Estava segurando minha xícara de chá com a mão direita. Na esquerda ia Parvati.
Levando a areia do parquinho dentro de suas sandálias, a pequena se arrastava com a cabeça voltada para o chão.
Ela tinha dito, "Mali, vamos ao parquinho.", e eu falara de volta, "Mas, Parvati, está frio e não haverá ninguém por lá. Para que ir ao parquinho hoje?".
"Ora, Mali, pensei que fosse mais esperta!", disse-me em seguida, levando as mãozinhas à cintura. "Hoje os balanços estarão vazios por causa do frio! E não haverão meninos chatos correndo na frente deles. Quando é que os balanços estão assim?! São as condições ideais para se balançar!"
Concordei calada, Parvati é uma boa observadora.
"E o vento deixa tudo mais gostoso.", pensara eu.
"E tem a brisa.", dissera ela. Nossos pensamentos coincidiram novamente, e normalmente.
Então, fui levada ao parquinho, e, agora, enjoada de tanto balançar, Parvati decidira sair e íamos voltando para casa.
Ela olhava para a areia que ia arrastando consigo, com desgosto dos grãos que fincavam em seus sapatos. De repente, ela soltou minha mão e correu uns metros à frente.
"Ora, o que houve?", deixei minha xícara de chá no chão e fui correndo atrás de Parvati.
Aproximei-me, ela tinha se agachado e fincara os olhos em algo caido no chão.
-Aqui, Mali, olhe isto! Olhe! É... é...
Aproximei-me mais ainda, junto dela, eu já sabia a resposta para seu pequeno enigma. Era uma pedrinha branca, com partes pontiagudas, curiosamente polida.
-É um dente. Mesmo. - falei a ela.
-Sim, eu sei.
Nós sabíamos que sabíamos. Mas para Parvati era tamanho impressionante seu achado que ela precisava expressar-se sem palavras.
-Estou sem palavras. - falou.
-Na verdade...
-Eu sei que "estou", "sem" e "palavras" são decididamente palavras. Sim, eu sei que as tenho.- atalhou. -Você me entendeu.
Realmente, eu havia entendido.
-Só que é divertido corrigir. Especialmente você, irmãzinha.
-Você é irritante, Mali.
~
Imaginado por Paula Guerra às 13:11 0 comentários
Descobri a descobrir
Descobri ontem duas coisas:
Primeira coisa- não tema, com tio Pavan não há problema. Só com tio Charles, mas está tudo no texto.
Tanto que foi no texto que estava a segunda coisa.
Segunda coisa- letras são desenhos. Os escritores, então, são os melhores desenhistas.
E descobri hoje outras coisas:
Coisa- não chore, ainda há esperança.
Outra coisa- não deixe as respostas em branco, como foi retrocitado, ainda há esperança.
Mas, enfim, deixando isso de lado, meus rascunhos de hoje foram nada-sensatos. Rascunhei na última meia hora de fisioterapia (tempo), na folha do meu bloco de notas (lugar). Não, não no meu Death Note (arma).
E, como todo rascunho que se preze, não tem título.
~
Eu acho, mas nunca poderei ter certeza, que ela me disse seu nome. Então, como não me lembro dele, ei de inventar um, mas não poderá ser um qualquer porque ela não era uma garota qualquer.
Melissa.
Não pergunta por que, também não poderei ter certeza da minha resposta, e, por mais que eu seja uma boa inventora e mentirosa, não haveria motivo de dá-la.
Enfim.
Melissa chegou aos trancos e barrancos à minha casa, com uma garota faladeira amarrada aos seus tornozelos, esta para a qual Melissa não dava muita importância à conversa. Apesar de sempre responder. Ela estava com a mente ocupada com coisa mais apreciada.
Parou em frente à minha porteira cor de terracota.
Respondeu qualquer coisa à morena companheira.
"Onde encontro bisnagas.", veio depois.
"Ahn?", eu realmente não compreendi, com a mangueira na mão, enquanto calmamente regava meu jardim, uma estranha parara a mim e, agora, me perguntava sobre lugares e bisnagas.
"Uma... Bisnaga?", perguntei incrédula.
"Isso mesmo."
E parecia decidida a arrumar uma.
"Uma, não. Várias bisnagas.", consertou-me e a si.
Mas eu fiquei desconsertada.
Ah. Várias bisnagas, quem diria?
Bom, eu não saberia dizer quem mais naquele mundo perguntaria por várias bisnagas, assim, elouqüentemente. Nem mesmo a tiracolo morena, faladeira e amarradora a tornozelos parecia que o faria, tanto que, criando-me um dramático paradoxo, conservava-se calada.
De qualquer forma Melissa, ela, havia perguntado e seu rosto e tranças loiras, imponentes, me diziam que eu deveria responder. Correto.
"Bem, acho que... Ah, numa padaria, claro!", fiquei feliz em dar-lhe uma boa, e inclusive bem coerente, resposta.
Ela deu um sorrisinho bobo, e meio enrusbecido, sabe? Bonitinho como quando uma criança, daquelas que acha já madura, faz quando se depara com o óbvio disfarçado de mistério.
"Padaria, claro!", mas ainda não era claro, era óbvio disfarçado. "E onde posso achar uma...", ela pareceu buscar o nome na memória, "padaria?...".
Esta já era uma mais fácil, e com mais sentido.
"É só você virar a direita e descer a ladeira para subir de novo."
Entretanto, algo não estava legal, sentia-me desconfiada, "com a pulga atrás da orelha é como estou", meditei em como me sentia, profundamente, as duas se distanciavam de mim e da minha porteira.
Olhei para o céu, elas já viravam a esquina e seus cabelos parecia farfalhar como mãos dando adeus e agradecendo o favor, coisa que a distraída Melissa se esquecera de fazer. Ou não vira necessidade em fazer.
Algo.
"Esperem!", eu gritei. "Vocês não vão encontrar a padaria aberta! Não às onze da noite!"
Melissa girou-se nos tornozelos, suas tranças chicotearam o ar, e ela me observou. Com um rosto meio: "padaria-não-aberta? Onze horas?" e "Você está enxarcando as suas plantas.", tudo num misto.
Tudo ao mesmo tempo.
No girar de Melissa.
Fim do trecho 1
Continuarei na fisioterapia.
Continuarei (n)a vida.
Kisu!
Imaginado por Paula Guerra às 13:11 3 comentários
Melo?
sábado, 12 de abril de 2008
A gente tenta, né?
E tenta de novo, pois somos teimosos... feito(s) crianças!
"Ai, mas és criança
E nos causa trabalho, nos causa tamanha andança!
Movimenta nossas pernas,
cria dores na nossa vida mansa
Tu nos fazes perder a pança!
Parvati, Parvati,
tu és criança!
És chá doce de erva mate,
és o amargo do chocolate.
Tu bates e rebates, parte, arte
e tudo isto que deseja:
que teu filho seja
um misto de trigo e milho,
Minha mãe donzela.
Pois tu és criança
E tua infância é bela.
Tu deitas e espreitas pela janela,
mas nem percebes que se passa.
Pois quanto mais anda, mais se afasta.
E se aproxima a vida nefasta.
Tu se esqueceste
do belo e do elo
e agora arrasta
pasta, infância e melo."
...Para quem gostou, fui eu mesma quem fez...
Agora, para os horrorizados, toquem na casa do vizinho,
danado, ele gosta de escrever!
Kisu!
Imaginado por Paula Guerra às 04:25 2 comentários
Domingo Ensolarado
domingo, 6 de abril de 2008
Hoje, eu virei para a janela do meu escritório e vi o Sol.
Bom, todos sabem, inclusive eu, claro, não sou tão doida, que o domingo não está ensolarado e que o Sol não está aparecendo por nem um brechinha de folha.
Mas para mim o domingo está ensolarado.
Quero dizer, tenho muitas coisas para fazer, muitas que não gosto de fazer, inclusive, mas o domingo pode ser ensolarado quando bem queremos.
Ou o sábado pode se fingir de domingo.
As quartas feiras podem cantar blasfêmias de terças.
E até mesmo as segundas (caramba! até as segundas!) podem ser agradáveis, mesmo elas sempre querendo ser desagradáveis. Pois quando eu ouço músicas de domingo, eu me dou ao luxo de me vestir de verde (a cor da grama banhada pelos raios de Sol, cor que só conseguimos ver nos domingos, quando não estamos correndo para ônibus ou falando sobre negócios e ações de nossa empresa).
Sabe, o domingo quer se fazer cinza hoje, o tempo trama isso, as passagens de aviões que deram para meu pai tramam isso, tudo conspira contra mim, meu estômago e minha ânsia de vômito.
Mas, eu quero meu domingo azul.
Eu quero. E vou ter!
Olha, só, que loucura! Um trecho de ontem, sábado:
"Estou vestida de domingo num dia de sábado.
Pior, estou vestida de
Um domingo que amanhã não vou ter.
Estamos numa frente fria,
e as nuvens que vêm querem chover.
Mas nada impede do meu domingo gelado ser ensolarado
E nada impede do meu sábado ser o domingo passado.
Que os céus se abram
E que deixem aparecer
ó, o Sol!
Este é o meu desejo!
Pois, é tão simples,
não existe ensejo!"
Haha! Isto me remete aos meus afazeres... Tenho de estudar.
Bom domingo, ensolarado para os solteiros e fechado de nuvens cantantes (como canta Brendon com apoio de Ryan, bateria de Spencer e baixo de Walker) para os amantes, para poderem se aconchegar em si mesmos.!
p.s.: peço para meu pai que levante-se logo e pegue logo o avião, para assim retornar o mais breve possível. Já estou com saudades.
Kisu!
Imaginado por Paula Guerra às 05:55 3 comentários
Versinhos
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Gente, hoje vim até aqui para ousar um pouco... Ei de espor aqui alguns de meus versos, espero que eu não traumatize ninguém! Estou apenas tentando alguma coisa, juro!
Bom, senão, vejamos.
Es, daß uns verbinden Sie, trennt uns.
"Aquilo, que nos une, nos separa."
Nós nos criamos nós.
Separamos nós, viramos vós.
Mas nos amamos, amando sós.
Então, voltamos, unimos, somos. nós.
Quatro versos! Quatro versos! Que pobreza, que desgaste, que ultraje!
Eu falei que estava apenas tentando... O motivo de eu ter criado essas frases malucas é estar desenhando cada uma delas. O título já foi e estou no rascunho da primeira, espero completar o resto. Mas, como vocês sabem, não é nada interessante, apenas bobagem.
Como sempre, espero que tenham gostado, e acho que gostaram! Porque a minha aparição foi tão rápida!
Não vou chatear vocês me prolongando por aqui.
Bom, Wiedersehen!
Bom, nos vemos!
(seria o Babel Fish confiável? E Roberto Justus, um robô?)
Imaginado por Paula Guerra às 04:18 2 comentários
O Desfibrilador
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
"Senhores, peço encarecidamente para que me passem o desfibrilador, antes que o paciente se vá!"
Ai, ai. "Reviveu!"
Depois de muito tempo, estou de volta. Não acho que sentiram falta, afinal, livros é o que não nos faltam por hoje! A mim, então, tenho uma dezena deles para ler!
Entretanto, eu senti falta de dar o meu ar desgraçado por aqui. Vejam só, neste meio tempo dei uma pequena mudada no template do meu blog. Agora, ele não é o "Et le Chat Noir?" e apenas isto, ele virou a versão de uma época, ele está numa estação que desejo ser época de colheita o ano todo. A estação, ou melhor, a versão "Breath.less".
A cada estação teremos a falta de alguma coisa, desta vez foi a respiração que sumiu, além de mim, é claro! Na próxima, veremos o que vai ser...
Mas, enquanto ela não chega, ficaremos com um texto daqueles meus. Vocês já conhecem a tortura.
A terra infinita
Enquanto todos olhavam para o horizonte com um olhar amedrontado, eu via nos olhos dele uma coragem e admiração motivada por um desejo que, para todos os outros, era extremamente insano.
Meu irmão sempre quis desbravar o mundo, eu respeitava muito suas idéias e ele era, sem dúvidas, o mais genial de todos os pensadores de nossa época. Num lugar em que a terra é dita infinita, onde os mares podem cair sobre nós e alagar nossas casas, um lugar em que Deus manda, é supremo e nós apenas meros pecadores, meu irmão quebrava todas as regras e fugia de suas próprias fronteiras.
Seu sonho sempre foi mostrar para os outros o poder que estava no solo no qual pisamos, e não nos céus, dormindo junto de anjos, e ele dizia que começaria apontando a todos que aquela mesma terra não seria infinita.
“A terra é redonda, mas não é infinita.”, ele falava. “É isso que vou provar, e mais, evidenciarei que não é Deus nem outro humano que faz qualquer importância para este lugar.”
Neste lugar, esta areia e todas estas árvores que vemos em nossas florestas sempre estiveram aqui, desde antes de nossos tataravôs nascerem e até nos morrermos eles continuarão aqui, os grãos de areia salpicando em nossos pés e as árvores imóveis e soberanas. Para ele o tempo de vida deste lugar era tão imenso, tão extenso e esticado, que pouco importava para ele nossa existência e o que faríamos, de forma que nem Deus importava.
“Deus foi criado pelo homem, e junto dele desaparecerá. Ele é uma figura nossa, e não há de ter sido Ele quem teve a idéia de transformar as flores que desabrocham em frutas para comermos, toda santa estação. E, mesmo que tenha sido, Ele nunca teria a capacidade de criar uma terra infinita.”, e ele simplificava para mim, pequeno:
“Se Deus criou tudo, então, esta terra é finita. Mas, se esta terra for sem-fim, como nos dizem os velhos e os padres - hum, também muito velhos -, Deus não é o nosso todo poderoso, pois criar algo assim nenhum ser é capaz, principalmente se for este ser que age como nós e nos pune por sermos nós. Alguma dessas coisas tem de estar errada. Provarei isto.”
Então, num dia em pleno outono, meu irmão partiu. Com seus cálculos e dinheiro enfiados numa bolsa, suas roupas e comidas em outra, ele foi andando com duas bolsas debaixo de um braço. Chegou perto de mim, e com um rosto sereno, me abraçou. Eu pedi a ele que me levasse junto, andaríamos o mundo juntos e voltaríamos para casa, depois de toda a volta arredondada, como ele sonhava em fazer, dada. Bom, meu irmão estava certo, não poderia levar sob seu olhar uma criança de cinco anos, especialmente se o caminho que ela se via fadada a andar era o caminho de um nômade.
Mas, ele também não poderia ter deixado aquela criança, sozinha, na soleira de sua casa o observando ir embora. Ele não podia ter me deixado dizendo o quão minha existência era insignificante, ter me deixado esperando por algo que faria de mim maior, e esperando por ele.
“Um dia, eu voltarei, no entanto, não sinta saudades de mim. Esse tempo que passarei fora é insignificante comparado ao tempo de tudo, como nossa existência, não gaste a sua pequena pensando em mim, ou em alguém assim distante.”
A calça dele fez um suspiro, ao arrastar no chão da rua, chão em que poderia se arrastar por toda uma vida, ou uma eternidade, e se foi. Sua calça e meu irmão sabiam daquilo, eu naquela época não sabia que ele poderia morrer andando por aí. Foi minha mãe quem me disse esta verdade, quando eu já era um pouco mais velho e fazia o contrário do que meu irmão me falara, enquanto esperava por ele voltar sentado no tapete de nossa entrada.
Fim.
Bom, esta eu criei hoje mesmo, durante uma aulinha de Geografia. Nunca pensei que as frases do André fossem me inspirar, mas não é que elas me deram um empurrãozinho, mesmo? Como sempre, espero que tenham gostado e agradeço muito por lerem-na.
Muito obrigada!
Beijos!
Imaginado por Paula Guerra às 10:41 1 comentários
